a) O PENTATEUCO


        Os cinco primeiros livros da Bíblia formam um só bloco chamado Pentateuco (penta = cinco; teucos = volumes). São eles:
        Gênesis (criação);
        Êxodo (saída do povo);
        Levítico (leis rituais);
        Números (por causa do recenseamento do povo);
        Deuteronômio (deuteros = segunda; nomos = lei) repetição de todas as leis contidas no Pentateuco.

        Estes livros eram a base da tradição judaica, o fundamento da sua religião. O conjunto deles era designado pelo nome de "torah", a lei, o livro da Moisés. Mesmo alguns grupos que se afastaram dos judeus conservaram o Pentateuco, como os samaritanos.

        Quanto à autoria, no princípio todos acreditavam ter sido escrito integralmente por Moisés. Havia uma tradição segundo a qual ele foi escrito por Deus e entregue a Moisés pelos anjos. Mas só alguns trechos se sabe foram escritos pelo próprio Moisés (mandamentos, batalha dos amalecitas... ). Até a Idade Média, entretanto, prevaleceu a idéia da autoria mosaica, embora alguns estudiosos, por esse tempo, já desconfiassem disso.

        Foi no século XVIII que começou o trabalho da crítica literária, estimulada pelos achados arqueológicos e descobertas científicas, o que proporcionou um estudo mais científico do texto.
Descobriu-se que há uma diversidade de estilos, de vocabulários (Javé=Eloi=Deus; Sinai=Horeb), de tendências teológicas (mais atrasadas ou mais evoluídas)... Estes indícios levaram alguns autores a discutir sobre a origem do Pentateuco.

        A princípio, pensou-se em uma coleção de documentos independentes. Outros entendiam como uma seqüência lógica: houve um documento base ao qual outros foram acrescentados. O certo é que encontraram finalmente e distinguiram claramente quatro fontes principais. Isto foi um grande choque para a Igreja Católica, porque veio romper uma tradição de muitos anos. Além do mais, estas novidades foram descobertas por críticos racionalistas, que se aproveitaram de usá-las para seus propósitos contrários à religião.

        Os exegetas católicos ainda não chegavam a este ponto do estudo crítico, mas eles reconheceram a validade de certos argumentos e passaram a estudar. O iniciador foi o Padre Lagrange, mas não teve muita aceitação na época, por isso abandonou os seus estudos. Os comentários de outros autores não tratavam de questões criticas (não eram críticos), mas apenas explicavam. Assim foi até 1943, quando o Papa Pio XII, na encíclica Divino Afflante Spiritu, deu uma abertura maior aos teólogos. Só aí eles começaram a estudar abertamente e com profundidade os gêneros literários, coisa que os protestantes há tempos já faziam. Deste modo, a exegese católica começou atrasada. E a “formgeschichte” (história das formas), que os protestantes já utilizavam, só em 1967 foi aceita por Paulo VI; antes era considerada heresia.



 

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